Monólogo do Amor

Monólogo do Amor
Por Camila Fracalossi
Apresentado no Sarau 2009 Oficina do Estudante

Cá me ponho a contar certas histórias que, por ora, meu coração chora - e tenho dito. São indagações feitas não só pelo meu, mas por nossos corações. Portanto, pelo bem comum, desabafo-as todas e clamo pelo alívio geral.
Sempre ouvi que 'amor é fogo que arde sem se ver'. Se arde, eu não sei - quem sabe se eu sei mesmo o que é o amor? Que seja. Não sei se arde, mas sei que não o vejo ardendo. De qualquer forma, a visão do mesmo se faz possível através de sua personificação. Ah, são tantas as faces do amor! Para alguns, tem a face cruel do demônio encarnado, sinônimo do sofrimento. Para outros, tem a face sensual de Afrodite, que os convida à tentação. Para os outros outros, ainda, essa face é tão angelical e pura como são o céu e as nuvens. O que quero dizer, simplesmente, é que amor é amor e cada um o entende de uma maneira. Há quem diga que a paixão dura apenas dois anos - mas o amor permanece. O que antes podia ser apenas uma atração se torna uma amizade. Ou mais que isso - uma fraternidade apaixonada e desejosa de convívio viciante.
Em base, o amor é a prova maior da química, demonstrando quão inexatos são os dogmas em que acreditamos no nosso dia-a-dia: o amor é SIM capaz de permitir a interação de moléculas apolares com as polares. Talvez água e óleo tenham passado toda sua vida acreditando tão fielmente nessas palavras que nem tenham se dado ao trabalho - nem à oportunidade - de se conhecerem. Isso faz deles apenas água e óleo. Separados. Sozinhos. Mas talvez, se quisessem, se tentassem, se forçassem suas moléculas ao encontro e ao esbarrão, alguma coisa nova surgisse e fizesse mais sentido que o dogma inicial. Porque nem sempre a junção de moléculas de igual polaridade, como água e sal, forma algo tão lindo quanto o mar. É sempre mais fácil pensar na imagem mais bonita, mas ela pode ser completamente intragável - como quando se tenta beber de tal água. Imagens são imagens, sensações são sensações. Combinadas moderadamente, há um equilíbrio. A esse equilíbrio chamamos amor: nem sonho nem realidade, mas sim um sonhar acordado. Como já disse o grande poeta: "é nunca contentar-se de contente", e isso basta. Também ele disse "é um contentamento descontente", em respeito às dores trazidas pelo mesmo - principalmente a dor da incerteza, tão incerta que machuca. Mas deixemos as dores para lá.
Ah, meus amigos, há inúmeros tipos de amor. É como diria nosso grande mestre: "Mas como causar pode nos corações humanos amizades se tão contrário a si é o mesmo amor?". Pergunto-me o mesmo: mas como pode se, por tantas vezes, ambos têm a mesma intensidade? Existe alguém por quem você já chorou e não foi por paixão? Existe, ou existiu, alguém que te decepcionou um dia e não foi por paixão? Se sim, eu pergunto: quão forte foi essa dor? Tão forte quanto a da paixão, eu respondo. Eu senti, todos sentimos, por mais frios que queiramos nos mostrar. Podemos formar nossa concha em calcário e nos esconder dentro dela, mas com certeza nossos fantasmas conseguirão adentrá-la. Com concha ou sem concha - tudo continua igual. Se isolar não é a solução para nenhum tipo de decepção, e tampouco é deixar de amar.
Por fim, deixo-lhes com estas sábias palavras alheias que as minhas apenas trazem a vocês: "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã". Amem. Amem incondicionalmente. Amem suas famílias, amem seus amigos, amem seus amores. Amem suas ações, amem suas vidas. Amem cada dia como se o novo nunca fosse chegar. Amem. Amém.

3 comentários:

Anninha disse...

O orgulho que tenho de ti é do tamanho do meu amor pela sua pessoa, e você sabe que é imensurável !

:')

Kraiham disse...

o que você entende por "a visão do mesmo se faz possível através de sua personificação"?

Kraiham disse...

Deixa ver se eu entendi...
Você quer dizer que você vê o amor como a união da pessoa idealizada: o que "você" acha bonito,"você" acha admirável, do que "você" avha a perfeição em compatibilidade de emoções; com a pessoa real, te surpreendendo lindamente em cada gesto, palavra e afeto?
Diga se estou certo ou errado.